segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

  DE ONDE VEM A COR? (II)

(Foto: celine)

"Dias pensando-se uns aos outros na sua seda estendida,
inteligentes para dentro do que há nos dias:
faíscas do ar, o ar braço a braço,
e no meio dos braços, no mais compacto
da claridade e da carne: o sangue que entra e sai por um lento
canal negro."

(Herberto Helder, "Do Mundo" in Ofício Cantante)


domingo, 10 de janeiro de 2021

 DE ONDE VEM A COR? (I)


(Foto: celine)

"            Libélula vermelha.
Tira-lhe as asas:
            um pimentão."

(Haiku japonês de Kikaku apud Herberto Helder in O Bebedor Nocturno)



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

(Jardim da estrela - Lisboa
Foto: celine)

"(...)
No muro da minha alma há uma fresta.
por ela entra o vento e a multidão
Das vozes e dos signos.

Quando a certeza chega, o coração
Lança de si os trajes mais indignos
E entra, sorrindo, na festa."

(Ruy Cinatti, "Natal" (excerto) in Natal... Natais...)

 

NOITE DE REIS


(Jardim da Praça do Imperio - Lisboa
Fotos e edição: celine)

"(...)
Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadureceram:
Estamos para durar!

Já lá vem Melchior
Sentado no seu camelo
Cantar as loas de cor
Ao cair do caramelo.

Ó incenso, mirra e oiro,
Que cheirais e luzis tanto,
Não valeis aquele tesoiro
Do nosso Menino Santo!

Abride a porta ao pregrino,
Que bem de mum longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve
(...)"

(Vitorino Nemésio, "Janeiras" (excerto), in Natal... Natais...)

 

2020 em revista...


(Foto: celine)

"por breves instantes
o meu amigo foi deus
num ano para esquecer"

(Matsuo Bashô, O Eremita Viajante)

 

Sob o Signo do Branco VII


(Foto: celine)

"O sangue matinal das framboesas
escolhe a brancura do linho para amar
(...)"

(Eugénio de Andrade, "Natureza-Morta com Frutos in Ostinato Rigore)

 

Sob o Signo do Branco VI


(Mata do Camarido - Caminha, Viana do Castelo
Foto: celine)

"(...)
Uma forma imóvel, aguda e vertiginosa e ténue
e a claridade das arestas percutidas,
uma habitação modelada aereamente
e, no entanto, sem sair da terra,
uma terra branca, uma terra de ar.
Terrear."

(António Ramos Rosa, Antologia Poética)