sábado, 13 de fevereiro de 2016

Apelavam por mim umas atribuladas reflexões imperiosas
de uma tese improvidente da intangibilidade da dignidade humana;
mas eram logo alienadas e violadas pela tua essência orgíaca,
surda às iníquas súplicas da minha essência ansiosa.
 
Ardem os meus lábios nos teus beijos…
Molha a loucura do meu corpo a tua boca…
Cravam no desejo as minhas mãos enconchadas na tua mão…
(Dóis-me tanto, ainda!…)

A minha alma doente de exaltação, febril da rêverie,
ora retesava-se na tensão melancólica da guitarra de Cluster One,
ora entoava o sedutor engano de Puccini, 
(Vieni, vieni… via dall’ anima in pena l’ angoscia paurosa) 
 
Marcam-me a pele as nódoas do amplexo no teu prazer…
Adoça o suor do teu mel a minha língua…
Açoita-me a tua fala de murmúrios obscenos…
Porque me dóis tanto… ainda?...

Ia para o mar, com braçadas fustigantes
na fome e na sede do meu corpo por outras vagas de prazer;
mas logo me gritava o teu corpo de sal e de espuma na crista da onda
e num lip off mareavas-me os sentidos às profundezas da negra tristeza.

E eu não quero que me doas mais.

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Demora-se num dia improvável e num local improvável,
um cálice de brandymel ou um bourgogne de tinto morno,
que emulsionará a poesia que me desvelará, corpo no corpo,
e que eu procuro e que eu quero… (e não me abandono!?…)
 Vem, Poeta, vem! 
E lava-me a loucura ferida do corpo na lavanda balsâmica da tua seiva.
E purifica-me a alma dolorida com o feitiço encriptado no teu poema.  
Que é, agora tua, a hora de com o teu canto representares a deixa
de me libertares do teatro das angústias a alma que ali se enferma.  
 Vem, Poeta, vem! 

 

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