terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Qualquer Natal

Emoldurados por uma árvore de Natal faiscante,
catrapiscando a grossa posta de bacalhau em azeite -
único rei visitante
de uma etérea noite anunciada -
os familiares supostos e dispostos à mesa da consoada, desentaramelam a eito
votos de amor, paz e harmonia.

Libertados os laços dos presentes ofertados à porfia,
já as pretensões  dos Homens se alteiam
à Fortuna e à Ventura... (mas por divino empenho)
 e no mais que dinheiro e sorte ateiem
no sopro dos primeiros bafos do Novo Ano.

E lá por altura dos Reis, com bolsas depauperadas,
já só sobram as trincas no bolo de frutas -
com as favas esmaecidas de tão contadas.
Os Homens, esses, tornam às amargas labutas,
adoçando o coração em promessas natalícias remediadas.

(Lisboa, Dezembro de 2013)

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